sexta-feira, 9 de outubro de 2009
Em que momento a humanidade desligou a sua fé?
Recentemente terminei de ler um dos livros que mais mexeram meu modo de ver a vida, o universo e tudo mais, O Mundo Sem Nós, de Alan Weisman. É difícil falar de O Mundo Sem Nós, mas sem dúvida a sombra dessa obra irá me assombrar pelo resto da minha vida. O motivo é simples: você já parou para pensar sobre o mundo sem nós? Dificilmente. Mas Alan pensou e o resultado, bem... o resultado é que o ser humano é a pior coisa que surgiu na história desse pequeno planeta azul nos confins do universo.
Em 150 anos fomos capazes de realizar estragos tão grandes no nosso planeta que de alguns eles não será capaz de se recuperar nunca. Existe em Houston, debaixo de uma montanha, um depósito de materiais radioativos extremamente perigoso. Tão perigoso, que definitivamente ele ainda estará lá intacto depois que o último humano se for, por causa disso, doutores em semiótica foram convocados pelo governo dos EUA para criar mensagens que seriam gravadas a ponto de que não importa o período, pelos próximos 10 milhões de anos ao menos, quem se aproximar daquele local vai saber instintivamente que ali não deve ficar.
A humanidade não deu certo e não tente me convencer do contrário. Exterminamos todas os grandes mamíferos da América, acabamos com os recifes de corais, destruímos a camada de ozônio, enriquecemos o solo com chumbo, fizemos testes atômicos com urânio, e esquecemos o quanto somos frágeis. Esquecemos que sem a Terra não podemos sobreviver, mas que sem os seres humanos, a Terra ficaria bem melhor. Num mundo sem humanos, assim, do nada, os metros de Nova York inundariam completamente em dois dias, as usinas nucleares explodiriam em 7 (comprometendo todas as outras formas de vida), o teto da sua casa sumiria em menos de 10 anos, 1 bilhão de pássaros deixariam de morrer por ano por causa de nossas torres de energia elétrica, e em cerca de 40 anos, qualquer prédio com mais de 40 andares já vai ter tombado.
Ainda assim, o gás carbônico demorará 100 mil anos pra voltar a níveis pré-humanos, o cadmium demorará 75 mil anos para sumir, o plástico (nossa mais imortal invenção) existirá pelos próximos 100 milhões de anos, e cada bomba de plutônio não explodida, demorará 250 mil anos para perder seu poder radioativo, lembremos então que existem cerca de 30 mil ogivas nucleares intactas no mundo e sinta o poder da nossa criação.
Minha avó tá lendo um daqueles livros evangélicos caducos que diz que o mal venceu o bem com fome, guerra, Mac Donalds delivery, essas coisas. E se o nosso prazo estiver realmente na reta final? 2012 tá ai pra mostrar isso. Os maias tentaram nos alertar, será que eles estão certos? Os pólos vão se inverter e “Deus proteja a América”? E se Deus não existir? Bem, depois de O Mundo Sem Nós, o novo livro na minha lista é Deus, um Delírio. Cara, eu mesmo estou fudendo com a minha mente, depois desses livros eu não vou poder nem colocar a culpa em ninguém.
Meu professor de antropologia na 8ª série disse: “Se Deus fez vários planetas igual a Terra espalhados pelo universo, ele é um gênio, mas se ele fez só a Terra, ele é um gênio maior ainda”. Meu sonho é entender o que ele quis dizer com isso. Um dia, se nos reencontrarmos, vou perguntar. Mas ai também vem Calvin e diz que: “A maior prova de haver vida inteligente lá fora é de que eles não entram em contato conosco”. Qual Calvin? Calvin e Haroldo, claro! O eterno garoto propaganda desse blog.
O último livro da coleção de Calvin e Haroldo foi lançado no Brasil recentemente e eu não perdi tempo e comprei quase na estréia aproveitando minha última viagem pra Curitiba. A Hora da Vingança é de longe a melhor coletânea da série, conseguindo derrubar até mesmo O Mundo é Mágico. Taí, o mundo pode ter virado essa droga que transformamos, mas existem algumas coisas tão especificamente belas e poéticas que nos dão um pouco de fé e esperança. Ler as tirinhas desse muleque hiperativo e seu tigre de estimação são um exemplo, pelo menos pra mim.
Vocês podem tentar argumentar comigo de que o mundo esta evoluindo e blá blá blá, que países como a Dinamarca, um dos mais avançados do mundo, abolem aos poucos o carro e usam a bicicleta. Dinamarca? Ah, a mesma Dinamarca onde nas ilhas Faroe jovens, para provar que são homens, matam golfinhos num ritual de passagem? Sim, golfinhos, uma raça inteligente que só se aproxima dos homens para brincar ou proteger os filhotes.
Se a fé move montanhas, onde ela está dentro dos seres humanos? Onde está a sua fé? A fé para mim é um sentimento independente de religião, a fé compõe o caráter e a nobreza de cada um, ela não é um telefone, MSN ou Skype pra você se conectar com Jesus, Alá ou Buda, ele é um sentimento que faz você se conectar com o mundo, então, quando a humanidade perdeu o poder de se comunicar com seu lar?
Bem, independente disso, O Mundo Sem Nós está me estimulando a tomar uma importante decisão, a de participar do VHEMT (Movimento Voluntário para a Extinção da Humanidade). O VHEMT defende que devemos viver nossas vidas plenos, felizes, consumindo, gastando, se divertindo e fazendo o máximo possível para sermos felizes, só devemos parar de nos reproduzir. Parece lógico! Veja por esse lado, se todos aderissem, em 21 anos, a criminalidade juvenil seria um problema erradicado do mundo e a adoção cresceria absurdamente. Não vou terminar com: “venha para essa você também”, afinal, o “cresceis e multiplicai-vos” ainda é seguido a risca por uma galera.
Meu pedido é simples: você poderia ligar sua fé para se comunicar com o mundo de novo? Pois como disse Pietro Aretino, "Amemo-nos sem termo nem medida, pois que só para o amor temos nascido".
segunda-feira, 17 de agosto de 2009
A maioria dos músicos não são iguais a vinho
Geralmente as melhores festas na minha vida são automaticamente classificadas como as piores também. Explico: é que sempre que eu vou numa festa boa e eu estou me divertindo acontece alguma merda. Foi assim na minha formatura do terceiro ano por exemplo. O Flávio ficou tão bêbado, mas tão bêbado, que ele não se aguentava em pé, vomitava nos sapatos Arezzo das meninas e gritava: “Todo mundo nu!”. Não deu outra, sobrou pra mim cuidar dele no auge da festa, da diversão e tudo mais. Nunca vou esquecer desse dia. Eu acordei na manhã seguinte com o Flávio na minha escrivaninha lendo meus textos e dizendo: “O que aconteceu ontem mesmo?”.Sim, ele não tinha ressaca. Não, ele não se lembrava de nada. Sim, eu quis matá-lo. Não, ele não sabe quanto dinheiro tinha a menos na carteira dele e quanto tinha a mais na minha.
Anos se passaram desde esse incidente e algo parecido se repetiu esse ano. Eu estava no iate clube de Florianópolis tentando me consolar pela perda do show de David Guetta (fã é uma coisa, doido que paga R$200 por um show é outra). E lá estava rolando o show da dupla espanhola Chus & Ceballos na lendária festa E-Joy. Primeiro que o iate clube de floripa é um lugar realmente incrível para uma festa, segundo que a E-Joy é realmente lendária. A vontade que eu tive no dia seguinte era de pregar um adesivo no carro: “Eu fui na E-Joy e sobrevivi”. Festa fantástica, muita gente, turistas de todas as regiões e nativos curtindo o som. E eu lá chegando no auge... tenho que sair porque as companhias queriam. Pra piorar, o taxista que pegamos era um tiozinho tarado que estava vendo o DVD da Gretchen e tipo... não era um show.
A apresentação de Chus & Ceballos foi muito boa. O público reagiu bem, eles tentavam se superar e se situar. Não foram de muito sucesso em alguns momentos, mas eles pegaram realmente o espírito da coisa. O som dos espanhóis é uma coisa bem mista, eles tem um lado latino óbvio misturado a uma coisa mais tech house, ora mais tribal, ora mais progressivo, um som bem diferente daquilo que a maioria está acostumado mas que é capaz de fazer o sangue ferver. Não decepcionou, mas também não surpreendeu.
O cenário musical eletrônico anda assim. Mantém um ritmo, mas não é inovador. Grandes DJ’s não estão mais se destacando no meio. O que surge são pequenas obras primas, em cada lado do globo, e que se difundem não pelas festas ou pelos shows, mas pela internet e pelo boca a boca. Um ótimo exemplo disso foi o que aconteceu com o bizarro e divertido som francês do Yelle, que no ano passado alcançou o topo nas baladas mais descoladas, mas eu lembro de uma entrevista da vocalista dizendo que não tinha dinheiro ainda pra se mudar definitivamente pra Paris, morando no interior. Eu também poderia trabalhar com os exemplos de Hercules and Love affair ou do ótimo som indie/eletrônico do Matt and Kim que se apresentaram recentemente no Brasil, mas eu quero falar do grande, porém pequeno, cenário da musica eletrônica brasileira.
É isso ai meus amigos. Eu fico com uma felicidade quase idiota quando digo isso: o Brasil está apresentando uma ótima cena eletrônica. Dá até vontade de dizer que esse país agora anda pra frente e finalmente se tornou o país do futuro tão falado desde 1950. Mas ai é demais, né minha gente? O principal responsável por esse feito é o paranense Péricles Martins, percussor do Boss in Drama.Falar do Boss in Drama é difícil. Mas ouvir é de um prazer indiscutível. A primeira música do MySpace do rapaz já é contagiante por si só. Favorite Song não lembra nada do que é produzido no Brasil, nada mesmo, aliás, eu não tenho referência nem nos EUA, o mais próximo que eu posso dizer que se compara é o inglês Erol Alkan. Mas é um som muito animado. A palavra para definir Boss in Drama é: atrevimento. Pode parecer bobagem, mas na musica eletrônica isso significa muito.
O som é energético, extrapola os limites e as fronteiras de estilo e vai se tornando uma mistureba generalizada de elementos. Nós temos uma completa overdose entre o pop, o eletro, o rock, dance, house, hip hop, funk (Jesus, tem um funk chamado Contaminada dele que é horrível, mas eu relevei). A ousadia está aí. Não ser fiel a porra nenhuma, somente a diversão. É misturar hits autorais com os de outros músicos, é fazer a musica durar apenas dois goles, não alongar, não prolongar, mas nunca parar.
Nessa onda Boss in Drama também se encontra o bacana duo brazuca Database, pequeno sucesso nas pistas do sul e sudeste do Brasil, que dificilmente você vai ouvir um dia na Globo, mas que encontra largamente em blogs, revistas de públicos restritos, MySpace's da vida. O duo tem um som muito pop também, mas menos rítmico e barulhento que o Boss, e ainda assim mainstream ao limite. Guarde esse nome, os meninos do Boss in Drama e do Database ainda vão fazer um barulho legal nos seus ouvidos.
Mudando de pau pra cacete. Eu posso dizer que uma das melhores coisas musicais que eu conheci esse ano foi o The Last Shadow Puppets. Ok, o álbum The Age Of The Understatement foi lançado no ano passado, mas eu só ouvi falar dele esse ano. Shadow Puppets não é uma banda, é um projeto paralelo na vida de Alex Turner (vocalista do Arctic Monkeys) e Miles Kane (atual Rascals). Aliás, fica muito difícil considerar as doze faixas do álbum como um trabalho paralelo, é menosprezá-los, é diminuir uma realização sonora fantástica, incrível, vívida e que representa tudo aquilo que uma geração de jovens quer ouvir de verdade, um revival de tudo que tivemos de melhor no passado, com o toque do que temos de bom hoje e com a juventude gritante de Alex e Miles.

Você escuta The Last Shadow Puppets e acha que mergulhou de volta nos anos 60, mesmo com as letras um tanto melancólicas e trabalhando o cotidiano. Deus, a canção Standing Next to Me parece que foi composta pelos Beatles, é a melhor do álbum, junto com a ótima faixa título The Age Of The Understatement e My Mistakes Were Made For You, num casamento de vozes tão perfeito que assusta. Um ponto interessante é que esse é um trabalho que Alex Turner só poderia ter desenvolvido após o sucesso com o Arctic Monkeys, a banda que deu o sangue que a mídia inglesa tanto deseja, mas que hoje se encontra tão “diferente” de como começou.
Ao ouvir Humbug, novo álbum do A&M, me perguntei onde estava aquele som muleke que tanto me atraiu no primeiro. Definitivamente algo não estava certo. É bom? É! No geral Humbug é bom sim, mas eu me senti até assustado, era algo que eu não estava esperando vindo de Alex e sua turminha. Talvez isso represente um novo ciclo pro Arctic Monkeys, uma renovação do seu sangue, não sei, ainda não consigo deduzir. Mas eles estão tentando inovar, isso é fato, não é quem nem a maioria dos músicos que tem medo disso e mantem apenas a fórmula do habitual. Todo esforço de mudança deve no fim ser reconhecido e válido, independente da música eletrônica ou do indie.
terça-feira, 7 de julho de 2009
Dois anos de discussões entre minha consciência e eu
Eu geralmente não gosto de falar de aniversários, mas eu ando perdendo esse problema aos poucos. E mesmo porque, algo que eu gosto muito completou dois anos de existência. Meu querido blog, minha querida consciência.
05/09/2008
O Fala Consciência não nasceu temático.
10/08/2007
E aos poucos se tornou meu xodozinho, meu cantinho mais que pessoal, parte de mim. É estranho você dizer que ama o seu blog, mas quem é que atualiza frequentemente o seu e não o ama?
05/02/2009
Eu tive grandes momentos com ele.
11/05/2009
De fato, o Fala Consciência também serviu para eu ir além. Eu expandi meu modo de pensar, minhas relações, conheci pessoas, pessoas me conheceram. Essa pequena página virtual no meio de milhões no mundo inteiro pode até ser minha morada, mas sempre acolherá bem seus visitantes.
01/05/2009
E eu acho que foi por causa de vocês, é, você mesmo leitor, que esse blog acabou ganhando uma forma indefinida.
30/10/2007
Mas tudo tem que ter um limite.
09/06/2009
Esse pequeno espaço viveu alguns dias de glória, hoje já não é bem assim. As coisas mudam, o dia a dia muda, as pessoas mudam e velhos hábitos acabam deixando de existir.
16/10/2008
Mas isso não me desanima com esse lugar, nem de longe.
08/12/2008
Aliás, eu mesmo já tive diversas crises.
25/06/2008
E como todo mundo, faço minhas besteiras, ou, como todo mundo também, faço besteiras maiores ainda.
23/07/2008
E há mudanças, claro. Porque, inevitavelmente, tudo muda.
24/09/2007
Mas não a crise que me tire daqui.
10/10/2007
E embora eu nunca deixe de criticar a humanidade, eu também não deixarei de admirá-la.
21/04/2008
E sim, hoje é um dia de comemorar.
17/12/2007
Esse texto é dedicado a você, que acima de tudo, me ajudou a manter esse blog por dois anos.
07/07/2009
segunda-feira, 15 de junho de 2009
Eu odeio começar uma obra e não saber como terminar
O ônibus da Ufac às 18h30 é lotado. Completamente lotado. Geralmente depois da metade do percurso ninguém mais consegue subir e ninguém desce. As pessoas lá só vão pra Ufac. Elas não vão descer na metade do caminho. Então o ônibus fica lotado. E ninguém mais entra.
Ainda assim o ônibus vai num silencio mórbido. Ninguém conversa, ninguém troca olhares. Eu olho todo mundo. Mas ninguém me vê, porque ninguém me olha, ninguém repara em mim, e ninguém repara em ninguém. Até o dia em que eu olhei praquela garota e surpresa, aquela garota olhava pra mim.
1.1
Eu estou deitado no colo daquela garota. Ela afaga meus cabelos e me canta musicas dos Los Hermanos. Ela adora as musicas dos Los Hermanos, ela ama, diz que o Marcelo Camelo é o poeta de toda uma geração. Eu odeio. Aliás, eu nem ligo. Eu gosto de escutar Arctic and Monkeys no meu ipod. Ela não tem ipod. Aquela garota de saias de renda canta Los Hermanos pra mim enquanto eu estou no colo dela. Eu odeio Los Hermanos. Mas eu gosto daquela garota. E a voz dela é tão gostosa.
Faz um calor danado na Ufac. É começo de maio. E debaixo de uma árvore eu estou no colo daquela garota. É sábado de manhã. Um ônibus passa por nós. Ele está vazio. Nenhum ônibus circula cheio na Ufac sábado de manhã. Só o primeiro. Aquela garota massageia meus cabelos. Ela olha pra mim e sorri. Ela canta baixinho “deixa eu brincar de ser feliz”. É uma frase bonita. Mas em seguida vem “todo carnaval tem seu fim” e eu sinto uma tristeza tão grande dentro de mim.
1.2
Aquela garota anda na minha frente. Nem de perto, nem de longe. Ela está numa distancia fixa. Vinte minutos atrás ela tinha dito “eu não sou capaz de te amar”. Quinze minutos atrás começou a chover desesperadamente. Dez minutos atrás ela começou a caminhar debaixo de chuva. Nove minutos atrás eu tentei abrir meu guarda chuva, mas ele quebrou, porque eu tentando limpar meus óculos sujos na frente de respingos d’água e atrás das minhas lágrimas acabei abrindo o guarda chuva errado. Oito minutos atrás eu estava começando a andar rápido para alcançar aquela garota, mas quando eu a alcanço, eu diminuo passo. Quatro minutos atrás eu estou completamente encharcado e minha cueca molhada incomoda porque começa entrar dentro da bunda. Dois minutos atrás aquela garota para de andar, eu paro junto, ela olha pra mim e diz:
“Eu estou indo embora e você nunca mais vai me ver”.
Um minuto atrás aquela garota foi embora. E eu nunca mais a vi. Zero minutos atrás, eu estou parado, chuva caindo, e a cueca não me incomoda mais. Meus óculos estão molhados por dentro e por fora.
terça-feira, 9 de junho de 2009
Se você acha que a Terra é um planeta sem esperança, nem queira conhecer o resto da galáxia então...
“...Existe uma segunda teoria que diz que isso já aconteceu.”
Entre parar pra pensar no sentido da vida, do universo e tudo mais, ou viver feliz, eu escolhi viver feliz. E quando eu penso que essa escolha pode ter sido a errada, é só eu parar um segundo pra pensar no sentido da vida, o universo e tudo mais pra perceber claramente que eu fiz a melhor escolha possível.
Atualmente eu estou lendo a trilogia de 4 livros de Douglas Adams. E esqueçam Star Wars, pois O Guia do Mochileiro das Galáxias é a melhor obra de ficção científica desse planeta. E também a mais nonsense/bizarra/porra-louca/que-diabo-é-isso? da história. No primeiro capítulo do primeiro volume temos a destruição total da Terra. Por quê? Simples, nosso planeta é um pequeno obstáculo na construção de uma estrada espacial. Tivemos 50 anos pra fazer reclamações no escritório público mais próximo, que fica em Alfa de Centauro, o problema é que não vamos lá com muita frequência. Sendo assim, após trinta segundos de pânico, a frota dos alienígenas Vogons (a raça mais terrível do universo não por serem perigosos, mas burocráticos demais) destrói o planeta. Simples assim!
Arthur Dent é o único que escapa com vida, pois seu amigo alienígena (que ele não sabia ser alienígena até 12 minutos antes da demolição) o tira do planeta. E após uma improbabilidade bizarra que pode ser explicada cientificamente através do Gerador de Improbabilidade da nave Coração de Ouro, passam a viver algumas aventuras juntos com Zaphod, Trilian e o robô maníaco-depressivo-suicida Marvin.
Porém, o livro tem uma tirada bastante interessante. A resposta da questão fundamental da vida, o universo e tudo mais. Um computador mega fodástico (e arrogante pra caralho) após alguns milhões de anos de calculo, disse que a resposta a essa questão é... 42. Sim, os criadores do computador ficaram tão putos com essa resposta quanto você leitor. O computador informou que o problema não era a resposta, mas a pergunta, que eles não sabiam, e que não era possível de se descobrir pelo computador, então a busca da questão fundamental da vida, o universo e tudo mais se torna o foco, porque a resposta nós já temos.
O primeiro volume da série é de longe um dos livros mais incríveis que eu já li, uma crítica forte a nossa sociedade e ao nosso planeta com suas guerras sem sentindo, seus preconceitos e estupidez. Nem o livro de Piadas do Costinha me fez chorar de rir, mas o do Douglas Adams sim. Porém, após uma alta expectativa depois de ler O Guia, o segundo volume, O Restaurante no Fim do Universo, me soou deveras decepcionante. Chorei de rir? Chorei! É bom? E ái daquele que falar algo contra! Mas pareceu sem o ritmo bizarro inflamado pelo primeiro. Sem falar numa questão que me encheu o saco em particular: a banalização da viagem no tempo.
Gente, como é que o James Cameron consegue dormir a noite? Se todo mundo no nosso planeta acha que viajar no tempo resolve todos os problemas da nossa vida (e da Skynet também, a maquina de inteligência artificial mais burra do mundo), a culpa é do James Cameron. O Exterminador do Futuro é a série de ficção científica mais sem sentido da história. Terminator 1 e 2 são tão bons, mais tão bons, que a gente nem consegue questionar os defeitos mega-hiper-powers dos roteiros, mas o 3 e 4 são tão bomba, junto com aquela série bizarra da Sarah Connor que aí a gente percebe como tudo é uma viagem em LSD sem volta.
Exterminador 1: O Kyle Reese veio do futuro pra salvar a Sarah Connor porque ela vai ser a mãe do John Connor, o todo fuderoso da resistência, só que aí, o Kyle pega a Sarah e quem nasce dessa pegada com força? Jhon Connor. Heim? Como assim, Bial? O pai do Jhon Connor é mais novo que ele minha gente e nasceu depois dele. Stephen Hawkey, explica o que isso significa:
Exterminador 2: O pau no cu do Kyle disse que a resistência estava vencendo a guerra, então porque mandaram mais dois Exterminadores mesmo? Ah, eu não consigo falar mal desse filme mesmo querendo. Tem algumas das melhores cenas de ação ever e a personagem feminina mais incrível do cinema, a Sarah Connor sarada, louca e gostosa me deu mais pesadelos que o T1000.
Exterminador 3: James Cameron deve ter dito, “Galera, eu não sei mais o que fazer com esse filme, não dá, não tem roteiro”, mas eles fizeram. Os produtores pensaram: “Vamos colocar uma loira gostosa com cara de suíça e vai dar certo do mesmo jeito”. O John Connor é um viadinho chatinho e não aquele adolescente doidaço envolvido com drogas e venda ilegal de armas que ele deveria ser. O filme só serviu pra ensinar de uma vez que o passado não pode ser mudado pra mudar o futuro. O problema é a que a burra da Skynet ainda não percebeu isso depois de 3 filmes e uma leva de Exterminadores top de linha esbagaçados.
Exterminador 4: É tão ruim que eu tenho que ir por tópicos. A) Por que as máquinas aprisionam humanos? Sadismo? Fetiche sexual? Cadê o conceito de auto-suficiência, minha gente? B) Por que tudo na filial do Norte da Skynet (sim, porque ela se mostrou uma multinacional na verdade, com várias sedes) parece ter sido construído pra seres humanos manusearem facilmente? C) A gente não sente nem cheiro de viagem no tempo o filme inteiro. Mas o Kyle maldito (perceba meu ódio perante esse personagem) ta lá, adolescente e mais novo que o próprio filho. E por último D) O Arnold Schwarzenegger foi feito do mesmo material que o Huck do primeiro filme.
A série O Exterminador do Futuro já tá tão sem noção, que perdeu a graça. Sem falar que uma das poucas lógicas dela é: se tivessem matado o John Connor no primeiro filme, a humanidade estaria salva.
Viajar no tempo é a solução dos seus problemas. A banalização da viagem no tempo também passou para o novo filme da série Jornada nas Estrelas, de novo com esse papo de salvar alguém que está sendo ameaçado. Me admira que o George Lucas não tenha usado essa idéia ainda, porque o cara que produz barulho no vácuo deveria ter usado viagem no tempo até pra cortar as unhas dos seus personagens. Graças a Deus, tirando a ideia de fazer Episódio I, II e III, ele não pensou nisso também.
A melhor proposta na cultura pop a falar de viagens no tempo é a quinta temporada de Lost. Quem acompanha a série e já terminou a última temporada deve ter pensando como eu: “Agora fudeu de vez!”. Mais louca, insana e bizarra que todas as outras temporadas juntas, os perdidos de Lost viajaram no tempo e passaram uns dias brincando de casinha com a Iniciativa Dharma. Para a nossa sorte, existe um físico no grupinho, e ele diz que: não é possível mudar o futuro alterando o passado. Para provar mais ainda essa teoria, o próprio físico começa a achar o contrário, tenta mudar o futuro e péi, morre, sendo que sua morte já era sabida pelo pessoal que está no futuro. Ou seja, o passado é inalterável. Segue uma lógica simples: se você viaja no passado pra matar o seu avô, por consequência você não nasce, e se você não nasce você não pode viajar no tempo pra matar o seu avô. Sacou ou pede ajuda pro Stephen Hawking?
Bem, a 6ª e última temporada de Lost vem aí para o delírio dos fãs, e mais dois Exterminadores do Futuro estão em produção, para o desespero dos fãs. Podemos esperar mais banalização da viagem no tempo, até um dia chegarmos ao ponto de Douglas Adams em sua trilogia de 4 livros: “O maior problema da viagem no tempo não é o perigo de você se tornar o seu próprio pai, famílias modernas podem lidar facilmente com isso, mas a conjugação verbal, porque você descobre que o Pretérito Perfeito não é tão perfeito assim”.
segunda-feira, 11 de maio de 2009
Entre o começo e o fim existe o meio
Do começo ao fim é visivelmente um filme "diferente", primeiro por tratar de um dos últimos tabus da humanidade, o incesto, segundo, por ir além desse tabu e tranformá-lo num incesto homossexual. O longo trailer é cheio de cenas bem impactantes. O momento em que os dois irmãos estão juntos na cama e confessam que amam um ao outro soa pesado, eles são irmãos, aquilo é... errado (ou não?). Ainda assim, as imagens causam um grande fascínio e apresentam uma trama complexa, que se segura e que tem Julia Lemmertz em visível performace sublime.

Porém, dentre esses todos, o telefilme Orações para Bobby chamou bastante minha atenção. É um filme bem triste, e que vale bem mais a pena a partir de sua metade, quando o Bobby em si morre. Filho de uma mulher altamente católica, Bobby não foi só reprimido duramente, mas foi convencido pela sua mãe que a homossexualidade era um pecado forte e errado. Mesmo Bobby conseguindo se desapegar da família, não se desapegou da idéia da mãe e se matou. A partir desse momento, sua mãe (uma Sigourney Weaver assustadora), entrega-se a uma dor sem tamanho, e passa a se sentir a única responsável pela morte do filho. É doloroso demais o momento em que ela entra na igreja toda molhada e anuncia ao padre que foi ela quem matou o filho que mais amava. Orações para Bobby pode ser um simples telefilme, mas tem uma essência tão forte que indiscutivelmente o torna um ótimo filme a abordar o real questionamento de ser homossexual.sexta-feira, 1 de maio de 2009
A vida como ela é... sim, e daí?

Meu novo vício tem sido a série Brothers & Sisters. Uma ótima produção norte americana que hoje está em sua terceira temporada, mas que eu ainda estou finalizando a primeira. E eu já vou logo avisando que se você está esperando eu falar de uma série louca, toda cheia de confusões, vidas perturbadas ou mistérios, lamento, mas só tem uma palavra para eu definir Brothers & Sister: careta! A série não é só careta, ela é caretíssima, ao extremo. Talvez seja por isso que eu posso afirmar que adoro esse programa, porque o caretismo às vezes é o que nos traz mais conforto na vida.
Brothers & Sisters conta a história de uma família rica e cheia de valores próprios que tentam lidar com a perda do patriarca, a quebra financeira da empresa e a descoberta de mentiras do passado que nunca vieram a tona. São cinco irmãos, completamente diferentes um do outro, mas que se amam e tem um elo fortíssimo (cada um a sua maneira) com a mãe, uma mulher forte, porém, meio sequelada (de doida mesmo, não psiquiatricamente). A questão é que todos ali são seres humanos, cada um com suas vidas, com seus problemas pessoais, com suas famílias para criar, com seus corações para lidar, com suas felicidades, vitórias, princípios e medos.
A questão é que não importa o quanto eles tenham tudo isso, pois uma coisa eles sempre terão, a si mesmos. Esse é o grande segredo de Brothers & Sisters, o de sem nenhum artifício pitoresco (muito comum hoje nas séries americanas) mostrar de verdade como funciona o amor familiar.
Não é de hoje, que os valores familiares se tornaram indefiníveis. De fato, uma das grandes questões da nossa humanidade, é que cada geração que vem se distancia mais ainda da anterior. Pegue você mesmo como exemplo. Você vive num mundo que não é nem um pouco mais igual ao da sua mãe. Porém, a sua mãe viveu num mundo onde possivelmente ainda havia muitos dos valores do mundo da mãe dela.
E aí chegamos ao momento em que o prazer das pessoas mais mal amadas é dizer que “a família é uma instituição que está falindo”. O cu deles que está falindo. Lembro que quando eu era do colegial, a notícia do suicídio de um garoto chocou toda a escola. Porém, o relato de um dos meus professores foi o que mais me interessou. “No começo do velório havia muita gente, mas elas foram saindo, saindo, até que antes da meia noite só restava a família”, ele suspirou e voltou a falar, “não importa o que vocês jovens achem, o quanto considerem que seus amigos são os melhores do mundo e seus pais incompreensíveis, no fim, só restará a família”.
Eu conheço um numero infinito de pessoas que se distanciam de suas famílias, cujo diálogo não esta presente, cujos valores morais diferentes nunca entram em acordo. Por quê? Talvez porque hoje em dia, as pessoas tenham deixado de praticar uma coisa que é capaz de mudar vidas, a tolerância. Familiares brigam, se xingam, riem, choram, vivem... mas se não há tolerância, nada disso acontece. A família só é família, quando todos sabem se tolerar. E aí vocês podem dizer: “mas isso não existe na minha família”, ao que eu lhe pergunto: “você já tentou criar?”.
E como dizia Chaplin, numa frase que particularmente me incomoda: “amigos são a família que Deus nos permite escolher”. Me incomoda sim, mas só como uma coceirinha de leve. Talvez porque eu seja o melhor amigo da minha mãe e que por vezes nos esquecemos dos nossos laços sanguíneos, que quando crianças a minha avó e meu avô tenham sidos meus maiores pilares de sustentação e hoje me esforço pra ser um pilar de sustentação pra eles e que quando lembro da tia que me criou e me ensinou o gosto pela leitura, mas hoje mora longe, paro um momento e meus olhos lacrimejam. A família também são os amigos que Deus nos dá.
E é só quando eu acho que somos plenos desse valor que somos capazes de transmitir de verdade o que sentimos para outras pessoas. Para aqueles que também representam nossas estruturas, aqueles que batizamos com a palavra: amigo. A amizade é de longe uma das coisas mais fantásticas, intrigantes e misteriosas do universo. Pois é uma palavra super bobinha que explica como podemos nos relacionar com as pessoas mais fantásticas, intrigantes e misteriosas do universo.
Amigos vêm, amigos vão, existem aqueles que nós queremos que nunca nos deixem, mas nos deixam, existem aqueles que nos deixam, mas voltam, existem aqueles que nós deixamos, aqueles que ficam para sempre, aqueles que nos conhecem melhor que nós mesmos, aqueles que não nos conhecem, mas nós adoramos mesmo assim. Minha avó costumava dizer que existe uma grande diferença entre amigo e colega. Amigo é uma palavra muito forte, e que nós temos que saber exatamente o valor dela, para usá-la somente com as pessoas certas. Por isso eu meio que encho o peito e falo num tom mais grave ou simplesmente diferente quando me refiro a alguém como meu amigo.
Eu não acho que exatamente a gente escolhe nossos amigos. É um tipo de química, algo que liga no seu cérebro e no da outra pessoa e que vai deixar vocês unidos agora e vocês nem perceberão isso. Uma ligação que não se sabe onde está e que pode ser alimentada e destruída por ‘n’ fatores.
Se existe a série Brothers & Sisters, eu acho que uma melhor ainda seria Family & Friends. Porque de certo modo, por todos, nós compartilhamos um sentimento especial. Todos nós amamos e desejamos o melhor sempre que possível, pois essa é na verdade a grande coincidência entre amigos e familiares, o bem que nós desejamos um aos outros. Se você não compartilha disso, possivelmente é porque não tem fé, não só na família ou nos amigos, mas principalmente em si mesmo.
Se você conseguiu chegar até o fim desse texto já deve ter percebido que ele é totalmente diferente dos outros que eu escrevi, mas se eu o desapontei não vou me desculpar por isso. Essa na verdade é uma carta de amor que eu escrevo aos meus amigos e a minha família, aqueles que ajudam eu a ser quem eu sou, e que eu me esforço todos os dias para ajudá-los a continuar sendo aqueles que eu amo.
domingo, 5 de abril de 2009
Conversas Bizarras Após Batidas Bizarras
Eu: OH, MEU DEUS! CARA, VOCÊ TA BEM?
Motoqueiro: Aí (saindo do para-brisa todo trincado), eu tô sim, so machuquei o joelho, mas tá tranquilo!
Eu (tremendo): Obrigado, Senhor! Deus é pai, não é tio nem padastro, é pai! Agora vem aqui.
Motoqueiro: Por quê?
Eu: Porque se o acidente não te matou eu faço esse serviço. Vem cá seu desgraçado, METADE DO MEU CARRO TA DESTRUÍDA E A SUA MOTA NÃO ESTÁ NEM ARRANHADA!
Motoqueiro: Ei, calma aí...
Eu: Calma aí nada...
Desconhecido: Gente, tá tudo bem por aqui? Querem que eu chame o Samu?
Eu: Calma, me dá 15 minutos com ele, aí tu chama o Samu!
Motoqueiro: Tu não me viu não?
Eu: Tu não viu o sinal VERMELHO não?
Desconhecido: Ei cara, tu passou no sinal vermelho.
Motoqueiro: NÃO TE METE!
Desconhecido: Ah, vá pra casa do caralho...
Motoqueiro: Vá pra casa do caralho você...
Eu: ...
Vizinho (chegando): Nossa, tu tá bem?
Eu: Até que eu tô (olho pro que sobrou do carro e uma lágrima desce solitária pelo meu olho direito), meu bolso é que não!
Brincadeiras a parte só posso agradecer a Deus por nada de grave ter acontecido no acidente que tive na última sexta-feira.
terça-feira, 17 de março de 2009
Com Que Maníaco-Assassino-Serial-Irracional Você Se Identifica Mais?
Jason: “Euuu!”
A série Pânico fez mais merda nos slasher movies do que o Jason foi capaz. Ok, eu admito que Pânico é um fruto de Sexta Feira 13, mas mesmo assim, não tem salvação. Primeiro, temos aquele assassino com aquela fantasia ridícula (em cada filme é um diferente, mas sempre com a mesma fantasia), depois, sempre os adolescentes americanos estereotipados, os piores tipos, a gostosa, o jogador, o tímido que não transa com ninguém, a metida a espertar e a virgem, que sempre sobrevive, mesmo que ela perca a virgindade. Os três filmes são muito ruins, as mortes também são muito sem graça, os desfechos são piores ainda. Afinal, quem sai fantasiado dentro da cidade, a vista de todo mundo, matando e perguntando antes: “Qual seu filme de terror favorito?”? Se nem no campo isso faz sentido, imagina na cidade.
m mineiro (não gente, ele não nasceu em Minas Gerais, ele trabalhava em minas) que na noite do dia dos namorados saia de sua mina com uma picareta suja de sangue e matava garotinhas apaixonadas, arrancava seus corações e mandava para outras pessoas em caixas de bombons em formato de... coração (adoooro a ironia). O filme é violentíssimo e razoavelmente bom, mas com os clichês de sempre, assassino mascarado revelado só no final do filme, adolescentes se fudendo e casal transpassado vivo enquanto transa. Teve dezenas de cortes no filme original, o que é uma pena, mas eles estão no DVD especial lançado recentemente. O remake foi lançado há pouco tempo em versão 3D.
O mais cult dos maníacos, Mike Myers é o grande vilão da série Halloween, também refilmada e lançada ano passado por Rob Zombie. Mike nasceu com talento pra matar. Aos 6 anos esfaqueou mortalmente a sua irmão depois dela transar com o namorado, ficou num hospital psiquiátrico até os 21 anos, quando resolveu fugir e seguir carreira. Ele mata, começa a usar uma máscara estranhamente delicada e um facão grande igual ao do Jason. Começa então a história de um serial killer acima da média normal. Existem 8 partes da série, em todas ele é indestrutível e implacável. É quase um Jason, com tanto cérebro quanto ele, mas com um pouquinho mais de classe.
que teve capacidade de se reinventar para manter sua presença. Chucky era até então um brinquedo inocente, mas de algum jeito absurdo, abrigou a alma de um assassino morto pela polícia em uma loja de brinquedos. O primeiro filme é assustador, principalmente para crianças. O brinquedo havia sido comercializado antes do filme, o que gerou uma histeria ao redor do mundo. Chucky é foda, mesmo no corpo de um boneco de plástico, ele já teve ate namorada, fez filho e matou algumas dúzias de idiotas, além de assustar criancinhas ate hoje. Ele também era sarcástico e irritante, coisa rara na época. Seu gênero de terror se desgastou, mas sua figura não, despontando para o humor em seus últimos dois filmes.
O grande vilão da série Hellraiser vem de uma dimensão paralela toda vez que um cubo amaldiçoado tem seu segredo desvendado. Me cagava de medo toda vez que o Pinhead aparecia na tela, com aquela cara cheia de pregos, aquela roupa de couro (que com certeza foi feita para sadomasoquistas), e aquelas correntes que surgiam do nada e se enfiavam na pele das vítimas. Dor e prazer ao extremo no mundo de Pinhead. Os três primeiros filmes são ótimos, mas depois a coisa fica ruim, até gordo o Pinhead ficou nesse meio tempo (Parte 8). É, a idade não perdoa ninguém.Um vilão que começou aterrorizante e que hoje poderia fazer parte do palco do CQC ao lado do Rafinha Bastos. O primeiro A Hora do Pesadelo é até razoável, mas o resto é uma grande porcaria de filmes toscos que subestimam nossa inteligência mais do que qualquer outra coisa e transformaram Freddy Krueger de assassino de crianças demoníaco que mata pelos sonhos, em comediante de segunda que mata entre piadas. Além de torcer só pro Flamengo com aquela blusa listrada que ele usa. É um ícone, dos melhores, um tipo de vilão raro, mas que foi muito mal aproveitado. Adora matar adolescentizinhos que só pensam em transar. Ponto para as mortes sempre criativas.
É difícil me expressar sobre Leatherface sem me expressar sobre O Massacre da Serra Elétrica, um dos filmes de terror mais cultuados de todos os tempos, absurdamente bom, “inteligente” e assustador. Leatherface é um jovem que nasceu com uma doença que corrói a pele do seu rosto, na juventude então ele aprende com sua sádica família de canibais a usar o rosto de outras pessoas no lugar do seu e de comer a carne delas para se alimentar. É bizarro. Brandindo sua serra elétrica em mãos, não tem como não ficar com as pernas bambas quando Leatherface entra em cena para matar, geralmente conseguindo seu objetivo. O filme original é muito bom, o remake é tão bom quanto, e O Massacre da Serra Elétrica – O Início, que mostra como tudo doentemente começou, é melhor ainda. Estranho esse último ter passado tão despercebido pelo Brasil. quinta-feira, 5 de fevereiro de 2009
O amor é cego, surdo, mudo, aleijado, tetraplégico e respira por aparelhos...
Até assistir essa:
É interessante a necessidade que nós seres humanos temos de expressar o amor de alguma forma. Alguns foram além e utilizaram-se da sua forma de expressão para colocar isso na arte, na literatura, na música, no cinema, TV. E o mundo ocidental foi condicionado a uma única forma de amor. Aquele que deve nos fazer feliz. De fato, só existe essa maneira de expressar o amor, a de transformá-lo em nossa felicidade plena.
Aí me vem Machado de Assis, com seu Bentinho e sua Capitu. Bentinho, um pamonha e viado enrustido, nutria seu mais absoluto desejo por Capitu. Mais que isso, por ela, Bentinho foi capaz de largar tudo, e deixar tudo em segundo plano. E o que o amor fez por ele? O envelheceu, o degenerou, o destruiu completamente, o enlouqueceu. O amor não fez muito bem para Bentinho. Ele o transformou num homem casmurro. Ele, justamente ele, que tanto se dedicou ao amor.
Machado de Assis veio para mostrar ao Brasil que o amor não é a melhor das coisas não, como dizia José de Alencar e qualquer outro que aqui escrevesse. Já Monique Garde, veio para mim com uma cena já clássica em Ó Pai, Ó, em que um travesti desce a rua, ao som de “Tô Carente”, do Calypso e se entrega a um desejo louco por um taxista preto, safado e casado. É, Monique querida, você veio com uma simples cena nos ensinar como o amor é complicado.
E se tudo vai mau na vida das pessoas, elas gostam de culpar a própria sorte amorosa, ou levar tudo isso para a vida sentimental. Ser solteiro para alguns é ser um imã para desavenças e azares de todo o tipo. De fato, a imaginação do que deva ser o amor para essas pessoas as tornam fracas e desiludidas para todo o resto. Pior que essa, só o tipo de pessoa que após tantos relacionamentos fracassados acha que nunca mais vai amar e que a vida será amargar por causa disso ate o fim. O ser humano é realmente paradoxal.
Lembrei que assistindo Sex and City, eu tive a impressão que nesse atual momento da humanidade, o amor seja um sentimento que se perdeu na evolução humana, não era mais para ele existir, ele parece não fazer mais sentido. Num universo onde as pessoas vivem com medo da própria sombra, fecham-se em seus mundos particulares, são egoístas e desejam ascensão, poder e, principalmente, dinheiro, o amor parece ser um argumento atrapalhador perante tudo isso. O que você quer mais, casar ou ter um Honda Civic (e eu te dou a opção de vir com câmbio automático e bancos de couro)?
Talvez o ponto mais
paradoxal entre nós seres humanos e o amor seja a questão de nossa necessidade de controlá-lo, tê-lo e usufruí-lo bem. Woody Allen soube representar isso muito bem em sua mais magnífica obra nos últimos dez anos, Vick Cristina Barcelona. O filme é leve, doce e delicioso, mas nem por isso nos traz uma reflexão poderosa e conflitante sobre a irracionalidade e maluquice dos relacionamentos amorosos. Nada nesse filme sobre o amor é banal ou igual a tudo aquilo que tanto estamos acostumas a ver na Globo, tirando Capitu, claro.
Mas meu enfoque no filme não ficou justamente sobre aqueles que mais chamaram a atenção da crítica, Scarlett Johansson, Penélope Cruz e Javier Bardem e seus brilhantes e maravilhosos personagens a somar um triangulo amoroso exuberante e amedrontador, mas minha atenção se dedicou a Vick, personagem vivida por Rebbeca Hall. Vick e Cristina vão a Barcelona, mas a viagem só começa de verdade quando elas aceitam um hilário pedido de um pintor para passar um final de semana juntos. Vick leva a vida como tantas pessoas modernas desejam levar, esta se especializando em sua área de estudo, planeja trabalhar, se mudar para Nova York e casar com um homem belo, rico e que ela considera ser um padrão de postura e classe. Para Vick, seu sentimento pode ser controlado a medida disso.
Mas Vick não é uma pessoa que conhece a capacidade de nosso coração em nos enganar. E mesmo achando que toda sua vida está resolvida e que seu sentimento é imutável e controlável, ela se apaixona pelo pintor. E como diria Maysa, mas na cabeça de Vick, “meu mundo caiu”. Vick casa e mesmo passando boa parte do filme sem ver mais o pintor (é Cristina quem se envolve com ele e sua lunática ex-mulher), ela está lá, pelas ruas de Barcelona, de braços dados com um homem e atormentada pelo amor irracional que tem por outro.
É, se relacionamentos já são complicados, relacionamentos modernos são mais difíceis ainda. Antes era tudo tão simples, só matar um dragão e pronto, a gata era tua pro resto da vida, hoje, elas nunca ficam felizes nem se você coloca status “namorando” no Orkut.
“Muitas pessoas desejam mais da vida e não sabem exatamente o que é. Elas sabem que tem que haver algo mais na vida, algo mais interessante, mais romântico, mais apaixonante, mais realizador.” – Woody Allen
Com relação a relacionamentos modernos, Mike Nichols nos traz
Closer – Perto Demais. Um filme mordaz e honesto sobre o que acontece quando liberamos nossa capacidade de amar (e nos colocamos a prova de suas conseqüências) e quando lutamos contra esse sentimento (e nos colocamos a prova de suas conseqüências²). Não vou falar de Closer, mesmo porque o filme já é velho e até passou na Globo, você só não assistiu se não quis, mas existe um momento que retrata exatamente a que esse filme veio: Dan (Jude Law) esta saindo de casa porque deu um fora em Alice (Natalie Portman, divina) para correr atrás de Anna (Julia Roberts), a quem ele
acredita que ama. Numa cena muito forte, Alice se joga aos prantos em Dan e eles tem um diálogo memorável.
Alice: Ninguém nunca vai te amar o tanto que eu te amo, por que o amor não basta?
Dan: Eu amo ela, Alice.
Alice: Ah, como se você não tivesse escolha? Há um momento, sempre tem um momento: "eu posso fazer isso, posso entrar nisso ou posso resistir a isso", e eu não sei quando esse momento foi, mas eu aposto que teve um.
Vem também de Closer uma frase inesquecível: “Você não sabe o que é amor, porque não entende o que é compromisso”. Faz sentido pra você?
E pra finalizar esse texto que inicia a temporada 2009 desse blog, eu sou obrigado a voltar a Woody Allen. Na cena final de Noivo Neurótico, Noiva Nervosa, temos uma piada antiga, Um homem diz a um psiquiatra: "Doutor, meu irmão é maluco, ele pensa que é uma galinha". O médico diz: "Então, porque você não o interna?". Ao que Allen responde: "Bem, eu o internaria, mas acontece que preciso dos ovos". Após essa piada ridícula, temos uma brilhante reflexão do próprio Allen, "Assim é como me sinto sobre relacionamentos, eles são completamente irracionais, malucos, absurdos, mas continuamos, insistimos porque a maioria de nós precisa dos ovos".
Enfim, e qual seria o objetivo dessa reflexão toda sobre o sentimento mais controverso do mundo?
Nenhum!
Só confundir a sua cabeça e deixar um pouco mais arejada a minha.












